Ontem dia dos amigos, passei-o a chorar e soluçar
Nada fiz, mas foi castigo dos deuses que estão a guerrear
Poetas, desculpai por não vos dar um bom dia
Mas ouvir os canhões fez-me chorar
Roubou-me toda a alegria
Os Judeus, filhos dos Mouses e Abraão
Querem ter um lugar para viver e morrer nesta vida
O que lhe chamamos, nosso torrão
Os que oram de Cu ao ar, estão sempre para eles de espada erguida
Os cristãos, ainda tem paciência e os querem ensinar como a um irmão
Essa gente cruel, tornam-se em bombas, esta perdida
Amigos poetas, será possível abandonar o deus pela paz?
Deixar entrar harmonia e amor em todo o coração
Tanta magoa que meu coração traz
Eu choro, peço a deus para das balas fazer farinha e coser pão
Nenhum dos vossos deuses me houve, faz-me chorar
Peço a mãe natureza
Ela diz, que precisão cavar e semear para colher
Eu me encarrego de tudo regar com o chover
Mas garanto-vos que nada fazem as mãos erguidas a rezar
Nem vossos clamores serão ouvidos
Ou de dor vossos gemidos
Mas se forem para os campos cavar e nas escolas aprender
Garanto-vos eu mãe natureza, vos darei de comer
Escutai a voz do vento, o zunir da seara, a amarelecer
Eu sou mãe, e receberei para a terra vossos poros a suar
Mas comer, cavando a terra, nunca vos vai faltar
Mãos erguidas, apenas encontrais amor doentio, receita de traição
Nunca deixais de ouvir o ribombar do canhão
Desde os principio, com inveja Caim matou seu Irmão
E seus passos seguem toda a religião
Amigo, e por isso que eu choro então.


Por: Armando C. Sousa
Canadá - 20/07/2000