Olhos marejados de lágrimas
Tanto Português a chorar
A voz do fado morreu
Não volta mais a cantar.
Até
as flores choravam
Sardineiras da janela
Tantas saudades já tinham
De ouvir sempre a voz dela.
Beijavas
sempre meus lábios
Ao ouvir a tua voz
Beijava-os com os teus fados
Que cantavas para nós.
Tua
voz triste do fado
Voz Portuguesa a chorar
Até as águas do mar
Quedavam com teu cantar.
Deus
deu-te nome Amália
Serás Rainha do fado
Não te quis na fabriqueta
A embrulhar rebuçado.
Um dia Rainha de preto
Entraste em meu coração
Perdi a minha alegria
Ao entrares no teu caixão.
As
tábuas de teu caixão
Ouvirão sempre a tua voz
Será só uma ilusão
Que cantarás para nós.
Só
Deus sabe este segredo
Quando irei dormir contigo
Em sonho ouvir tua voz
Ter de acordar por castigo.
Cemitério
dos prazeres
Só tu guardas meu tesouro
Tesouro dos Portugueses
Voz do povo voz de ouro.
Tantas
penas te cobriam
Ao ver o povo sofrer
Entravam mais em teu peito
Levantando o amanhecer.
Tu
não chegaste a partir
Ficaste em mim meu amor
Eu nunca te vi sair
Só entrou em mim a dor.
Humildemente
bateram
Nesta casa portuguesa
Uma porta uma janela
O amor sua riqueza.
Deus
te deu este condão
Nele foi o teu viver
Estranha forma de vida
Cantando até morrer.
As
guitarras estão caladas
Ao ver passar o caixão
Daquela que foi Rainha
Do fado e da minha paixão.
Até
as gaivotas choraram
E deixaram de voar
Pedindo a Deus que a rainha
Subisse aos céus p'ra cantar.
Espera
por mim Amália
Um dia que deus me levar
Guarda ai um lugarsinho
Quero-te ouvir cantar.
(Povo
que lavas no rio)
(Que talhas com teu machado)
(As tábuas do meu caixão)
(Pode haver quem te defenda)
(Quem compre o teu chão sagrado)
(Mas a tua vida não)

Por: Armando
C. Sousa
06/10/1999
Homenagem do Autor a Rainha do Fado