Com tristeza as horas são longas a passar
Sem caricias de ninar ou beijos ardentes
Sinto desejos de uns braços a me apertar
Como outrora, noites de volúpia quentes.

Ouço meu pensar de antigamente, gargalhar
A lua se esconde quando ainda me vê beijar
Pedaços de luz de prata, ficam embaciadas
Ao ver-me lento, nem ao som do amor saltar.

Nesta idade preciso escuridão e macia cama
Pernas aos ombros um gemer, yes, yes, sem dor
Triste de vida, aquecer-me ao fogo sem chama
Idade hipócrita, dizer ainda, assim meu amor.

Por dez minutos minha chama e ainda forte real
Logo caio como um esbaforido, cabeça pendida
A mente misteriosa, torna em volúpia infernal
Não é fêmea no cio, eu, sim na cabeça, mas caída.

Então já me contento a dar-lhe umas palmadinhas
Me contento encostar pele como pele e adormecer
Sonhando atrás dos penedos apanhando camarinhas
E ela moça, gemidos gritos loucos, e saltos de prazer.



Por: Armando C. Sousa
08/06/06