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Era
setembro uma manhã ensolarada quando entrei na rua
fazendo o carro roncar só parei no quebra molas, e
ao entrar na curva uma linda mulher negra me chamou a tenção
fiquei olhando pelo espelho observei que ela ficou olhando,
Dei
uma parada junto ao acostamento e continuei não estava
indo pra nenhum lugar, o desejo da concupiscência me
fez voltar a traz parei uns metros à frente e resolvi
voltar pelo caminho, não a queria encontra-la, mas
foi uma coisa instintiva porém não a vi!
Mas
continuei a caça já quase no fim da rua eu a
vi e acelerei, mas inútil, ela entrou na loja de doces,
mas o destino tem suas formas de fazer acontecer os encontros
dei uma paradinha de frente loja ela olhou fez que não
viu e quando eu já ia saindo ela saiu da loja e continuo
caminhando dobrei a esquina e parei.
Baixei
os vidros e disse: Olá!
Ela se aproximou senti seu cheiro trazido pelos ventos da
primavera. A convidei para entrar ela ficou meio indecisa,
mas diante da insistência do guarda a apitando entrou.
Logo
seu perfume tomou todo ambiente quase a me sufocar.
Na
saída acelerei eufórico envaidecido porque ela
era uma mulher ainda jovem. Olhei para traz e notei um cão
que corria ao lado carro havia muito movimento e tive medo
que fosse atropelado tive muita pena, pois os animais sempre
cuidam de seus donos.
O
cão ficou pra traz comentei sobre o cão ai foi
que ela disse o cachorro e meu quisera ter parado e colocado
pra dentro do carro. Ela disse: Não se preocupe não,
ele sabe voltar para casa. Parei umas duas quadra depois para
conversamos um pouco falei um pouco de mim e deixei ela falar
a vontade.
Na
nossa conversa pude notar os seus encantos, era de uma voz
calma e melíflua, tinha belos seios, e tinha um sorriso
lindo que me fascinava, dali ainda fomos, na casa de sua costureira,
fomos ao centro comprar linha, e aproveitamos para conversar.
Na
nossa conversa cada vez ficava mais atraído por aquela
mulher de uma faceirice encantadora, então anotei seu
telefone, e marquei telefonar no outro dia.
Fui
para casa pensando no encontro como seria; tentei esquece-la,
mas inútil, ela não me saia da mente, fiquei
na perspectiva do dia seguinte.
Era uma manhã de primavera cálida e clara mais
a havia um mormaço e o céu parecia querer mudar
havia uma formação de nuvens negras formando
se no norte encobrindo o sol que parecia relutante em aparecer
fiquei a imaginar na possibilidade de perder o encontro por
causa da chuva, talvez ela não queria me encontrar
com chuva.
Peguei
o telefone e fiz uma ligação depois de dois
toques finalmente, alguém com uma voz sonolenta, respondeu:
Alor!
Era ela conheci pela voz; disse sou eu princesa ao que ela
respondeu oi, ainda estou dormindo fiquei constrangido pelo
fato de ter despertado alguém que dorme principalmente
porque sabia que ela havia chegado do trabalho pela manhã
pedi lhe desculpas com a promessa de lhe ligar depois, porém
só eu sabia do meu constrangimento, e a minha frustração
sai dali muito triste e com um sentimento de compunção.
Porem
o meu pensamento não saia dela só pensava naquela
mulher, mas não podia dar-me o luxo, de estar à
disposição dela, para sair tinha que mentir
em casa isso me incomodava.
À tardinha quando o sol foi caindo no horizonte, o
arrebol já estava ficando a vermelhado, e o sol se
recolheu paro o sono, fui na casa de um amigo na volta passei
em alguns telefones todos vandalizados completamente destruídos,
mas finalmente encontrei um que falava. Liguei lá do
outro lado da linha uma voz doce já minha conhecida,
respondeu:
Alô!
Eu disse estou na praça, ela sem nenhuma emoção
me respondeu vou ai. A noite estava escura, mas o céu
parecia um manto estrelado, sentado no banco já sem
paciência liguei o radio foi mais fácil esperar
a espera é sempre difícil, ali esperei durante
meia hora quando já começava a ficar impaciente,
quando de longe avistei um vulto de mulher, que caminhava
confundindo-se com as sombras logo reconheci pela silhueta
torneadas do seu corpo.
Ela
me apareceu com um sorriso feliz, e foi chegando com um sorriso
nos lábios carnudos, notei que estava com uma sandália
transparente e umas saias floridas que lhe caia muito bem
parecia à própria primavera.
Conversamos
um pouco, e logo ela mostrou-me sua filha, que estava num
banco conversando com uma amiga, minutos depois chegou o filho,
e os nos cumprimentamos, notei no rosto do rapaz aquele olhar
de repreensão que os filhos fazem quando tomam contam
de suas mães, logo a mal esta se dissipou e ele se
despediu, e nos ficamos à sos conversamos durante uma
meia hora nada serio só pra nos conhecermos.
Disse
–me ela que costumava dormir cedo, e logo eu estava
me despedindo. Na despedida senti-me como um jovem enamorado,
sentia vontade de ficar com ela, fazia muito tempo que não
sentia uma emoção como aquela, dei-lhe um abraço
com a garantia de lhe ver pela manhã.
Quando
cheguei em casa percebi que o cheiro dela estava entranhado
no meu corpo. Tomei banho, mas nem assim consegui tira-la
de meu pensamento. Seu cheiro, seu olhar, sua voz, estavam
presentes nos meus devaneios. Senti que algo estava acontecendo,
eu voltava a amar.
Passamos a nos encontrar de manhã, quando ela ia para
o trabalho, e quando saíamos a algumas vezes, íamos
ao motel, nos amávamos loucamente, nosso suor se misturava
como leite e café, seu corpo suado colado ao meu, parecia
mosca no leite.
Dali,
saíamos saciados e felizes, porém, a proximidade
foi me dando medo, ela começou a se em volver nos assuntos
pessoais, até que um dia ela disse, que o marido dela
queria me conhecer.
Ai
foi mal como o corno quer conhecer o amante? Eu nunca tinha
visto situação igual a essa, já tinha
visto de tudo! Compreendi a situação em que
estava metido que por isso surgem muitos crimes passionais.
Indaguei-lhe
se era casada, ela redargüiu evasivamente, era separada,
mas ainda morava com o marido, mas só transava com
ele por necessidade, logo percebi que poderia estar caindo
numa armadilha, ainda saímos algumas vezes, mas descobri
que já não gostava tanto dela!
No
motel, as sua pernas negras já não me acendiam
mais, seu corpo escuro, para mim já não tinha
mais calor. Eu já não sentia por ela a mesma
ternura. Um dia ela disse você esta fugindo de mim,
não gosta mais de mim eu fiquei compungido, nunca fui
seco na forma de amor, respondi; nunca vou deixar de te amar
porque o amor não morre sempre nasce em outros corações,
mas o nosso será lindo em quanto durar.
Eu
já estava infeliz pelo fato de mentir em casa o amargor
de trair traição me incomodava. Comecei a ficar
mais para casa e tomar água de minha própria
cisterna.
Um
dia a encontrei, ela estava ridícula vestida a passeio,
sapatos alto, e cabelo aloirado decidiu sair à francesa.
Passou-se
muito tempo sem que a visse. Um dia depois de um temporal,
ainda chovia fino e eu me protegia sob uma marquise. Não
pude evitar quando a vi ela já estava perto e mim,
ai não pude fugir ao encontro.
Porém
na passada que ela vinha, passou por mim como se eu não
estivesse ali, dei um suspiro de alivio e nunca mais a vi.
Mas ainda trago comigo na lembrança, e o cheiro, daquela
mulher, que tanta paixão despertou em mim.
Autor:
Gilson Cassiano de Góes
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