Eleonora ainda era uma menina, feia de cabelos crespos e olhos grandes e negros.

Ainda posso vela carregando os cadernos colados ao corpo cobrindo o busto para esconder os mamilos que começavam sobressair por baixo do vestido, esmaecido pelo uso.

Um volume pequeno mais lindo que ela procurava esconder.

Um dia quando ia para a escola ela saiu de casa correndo e me deu um vidrinho daqueles de injeção com um pouco de perfume,.e disse; Peguei no perfume da mamãe.

Reterei a tampinha de borracha e levei ate o nariz era um cheiro suave e gostoso olhei o rotulo do vidro, havia escrito acetona.

Fazia muito calor e ela despejou quase todo conteúdo no meu rosto suado. Não dei nenhuma importância, não imaginava o valor daquele gesto carinhoso. Já faz tanto tempo mais ainda sinto o cheiro daquele perfume.

O tempo corre e as lembranças diminuem dissipando-se como fumaça a memória esvazia-se com a rotina da vida, mas continuo rebuscando farrapos do passado.

Eu continuava brincando de bolinha de gude nos buracos furado no meio da rua, mas, Eleonora tomava forma e corpo de mulher. Passaram-se muitos anos desde a ultima vez que ela passou e ouvi os garotos dizer em coro: “Eleonora, Eleonora es a salvação da lavoura”.

Ela não gostava porém fazia que não ouvia.

Nora costumava vir em minha casa uma vez ou outra invadiu minha privacidade, e de repente estava todo enroscado nela completamente dominado que nem cachorro no cio, mesmo correndo risco e chegar alguém.

Um dia, fui na casa dela, estava só quando cheguei.

Deitada na rede se embrulhou toda e me chamou vem para cá eu disse não mais fui ela começou a me acariciar eu comecei a tremer, ela disse esta com medo? Eu respondi que não, mas até hoje sinto o coração palpitar quando lembro daquele momento em que ela deu-me, o meu primeiro beijo.

Posso sentir ainda sua língua quente invadindo minha boca, e meu coração a bater disparado. Hoje ainda posso sentir os beijos que umedeceram meus lábios, e me fizeram sentir o desejo de amar.

Depois daquele dia virou rotina, nos vivíamos nos amassando.

.Uma noite levado pelo desejo da concupiscência senti algo diferente eu a havia penetrado. Ainda a abraçava por traz de modo libidinoso segurando seus mamilos, quando ela me olhou cheia lascívia e disse-me pareço com uma cadela no cio. Fui dormir naquela noite com tanto medo que desejei que o dia não amanhecesse.

As aulas haviam começado Eleonora já era uma moça de belas formas e cursava o admissão ao ginásio. Por aqueles dias estavam construindo uma estrada nas sete bocas. Sempre que passávamos em frente ao canteiro de obras tinha um cara que ficava secando a Nora como Eleonora era chamada fazia gestos obscenos, e massageava os órgãos genitais quando ela passava.

Passamos evitar andar por aquele lugar. Mas uma vez ou outra, ela voltava da escola por lá para encurtar caminho.

Naquela tarde quando o sol se despediu do dia lua se entregou a noite iluminando as ruas desertas eu sentei-me na janela com o lampião de gás para estudar. Corria uma brisa fresca trazendo um cheiro de velâme da mata adjacente a minha casa.

Já era muito tarde. Quando ouvi os gritos abre depressa mamãe olhei pela para rua e vi Nora entrando em sua casa, fechei os cadernos e fui dormir. No dia seguinte soube que Tô Seco tinha atacado mais uma vez. Perguntei a nora o que havia acontecido. Ela me relatou que estava chegando nas sete bocas quando ouviu o chamado:

“Espere ai menina enxuta eu to seco quero molhar:”

Meu coração quase saiu pela boca sai em disparada nem olhei para trás só ouvia os passos correndo atrás de mim dei graças a Deus chegar em casa.

"To Seco" era um tarado que andava aterrorizando as mulheres la pros lados das sete bocas é por essa razão as meninas do da escola saiam juntas. Mas de vez enquanto acontecia um estupro naquelas bandas. Muito embora tenham sido feitas muitas buscas, mas ninguém descobria quem era o safado.

O tempo foi passando Nora chegava sempre muito tarde era comum D. Jandira ficar esperando ela chegar, e sempre dizia que era o ônibus que demorava, sim ás vezes era mesmo, mais eu sabia ela vinha pelas sete bocas andava se encontrando com o sarará do canteiro de obras.

Nora já não era a mesma menina que eu conhecera, já não vinha, mas a minha casa e eu não fazia, mais parte de seus sonhos de amor. já não me dizia, lindas palavras de amor como antes, quando eu a abraçava prometendo amor sem fim.

Também se revelou ser uma moça leviana, isso imposto pelas más companhias com quem ela agora andava, sob os protestos de sua mãe. Gostava de vestir roupas curtas e transparente era épocas das minissaias, andava toda faceira e toda atirada, nem parecia aquela menina enxerida que me enamorei

A noite estava linda a lua já se entregava nos braço da noite, e com sua luz prateada dourava a areia cor de chumbo onde os garotos brincavam de judô.

Na calçada as senhoras fuxicavam só ouvia os risos mordazes das velhas. Nora disse para sua mãe vou dormir. Não sei o que aconteceu, não demorou muito Dono Jandira chegou a porta e perguntou vocês viram Eleonora? Alguém redargüiu! Ela foi dormir! D Jandira disse: ela não esta no quarto.

Nora havia pulado a janela.

Daí então só ouvi resmungos de ameaças, ela vai me pagar quando chegar. Já era muito tarde quando Nora entrou e casa pela janela que dava para oitão da casa. Sua mãe esperava com a corda da rede. Naquela noite não dormi ouvindo os lamentos de Nora ela tinha apanhado muito além dos xingamentos de sem vergonha, com quem você estava?

Vou tirar-lhe o coro.

Nunca disse a ninguém, mas sabia que ela vinha se encontrando com o Sarará da construção. Já vinha saindo há muito tempo quando sua mãe dormia, ela ia se encontrar com o sararà da construção.

Dona Jandira era uma mulher de caratê duvidoso já ouvi as más línguas dizer que ela também quando morava em campo redondo costumava abrir a janelinha do seu quarto que dava para o quarto de hospede e sabe se la o que rolava. Mas agora era senhora respeitável ali nas redondezas.

Naquela manhã quando sol brilhou e varreu a escuridão da noite, ainda muito cedo ouvi D Jandira bater a porta da vizinha, comadre sou eu Jandira! as duas e ficaram conspirando tramavam alguma coisa.

Pela cerca vi Nora toda lapiada, cheia de vergalhos pelo corpo me olhou cheia de pejo e acanhamento, parecia uma flor despetalada respingada do orvalho da noite.

A surra tinha sido severa.

Logo as velhas fofoqueiras, estavam urdindo para fazer um exame para ver se Nora ainda era moça, umas diziam: “Amarra um barbante dobrado o pescoço, depois junta as pontas de passar pela cabeça comadre se passar já era ” “testa com um ovo”.Coitada da Nora, ainda posso ouvir seus gritos seus gritos cheio de compunção Não! Não!

Pelo amor de Deus Nãooooo!.

Não teve jeito dona Raimunda enfiou o ovo nas entranhas de Nora e disse: “Entrou fácil”. Ai começou a tortura quem foi? Se você não disser vou lhe entregar a seu pai, vou te mandar para pensão de Rita Loira, por fim depois de muito interrogatório disse:

Foi "To Seco", para espanto das velhas.

Mas bem certo estava Pascal quando disse: “O amor tem razões que a própria razão desconhece”. Nora não disse quem foi. Hoje ainda posso ouvir os gritos que ainda me persegue desde aquela tarde maldita.

Tempos depois To Seco foi pego numa tocaia descobriram que ele era o sarara da obra, Além de apanhar muito foi parar na casa de detenção.

Eleonora andou mundo e fundos, uma noite a encontrei no baixo meretrício não tive coragem de lhe falar quando vi me escondi e sai de mansinho sem ser visto. A última vez que a vi morava no Rio de Janeiro, já tinha três filhos, mas soube pela minha irmã que voltou para Natal.

Hoje estou velho, e mesmo que estas coisas tenham passado a tanto tempo ainda estão guardadas em min e só o banzo me tortura a alma.

Procuro no passado às boas lembranças, vivo a cada dia aprendendo e sentindo saudades torpes ouvindo os ecos sombrios as vozes do meu passado.

Mantendo o olhar firme no futuro com medo dos fantasmas do passado.

Autor: Gilson Cassiano de Góes