Sobre o silêncio dos penedos, observo o trapiche solitário
O barco amarrado sem leme, de velas ferradas
No difuso olhar do sol as ondas bravias se curvam...
sobre o calhau escuro da areia branca da praia
Molhando as obras vivas, aviltando-lhe seu costado limoso.

Sopra a brisa cálida seus mastros tremulam desferra
a vela que logo se enche do sopro salino do mar
Solta as amarras e soprado pelos ventos...
busca as águas turvas do potengi
Singrando as águas onduladas pelos ventos cálidos...
do amanhecer, com desejo de alcançar o mar.

Com o olhar da alma sigo os sonhos perdido
A ilusão do coração saudoso do mar
O coração segue a deriva em pranto mudo
O pendão da tarde crepuscular percorre as falésias escarpadas
E as sombras dos penedos repousam nas areias brancas da praia.

O dia se recolhe e a noite chega nos abraços dos amantes
Navego guiado pelas estrelas, soprado pelos ventos outonais
Buscando porto seguro, onde possa descansar meu coração
O brilho fulgido sol me sega a visão e retorno à realidade
Desejoso que ele receba como castigo os ecos...
De meus suspiros de saudades.


Autor: Gilson Cassiano de Góes