Não devo ama-la e amo-a com loucura;
Quero esquece-la e trago-a na lembrança,
Quem há de livrar-me deste mal sem cura
Que o trágico destino me lança!

É uma nuvem de tédio e amargura
Onde some a estrela da esperança.
Tudo cansa na vida escura;
Só este amor infindo não cansa!...

Se os olhos cerro, vejo-a nos meus sonhos.
E se à noite acordo, sinto que enlouqueço,
Vendo meus monstros (mais) medonhos

É como morte em vida, que jamais finda.
Quanto mais procuro ver se a esqueço,
Sinto que a amo muito mais ainda.

Autor: Márcio R. de Carvalho
23 / 10 / 95