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Nestes
dias invernosos sabe bem passear pela Avenida Brasil,
na Foz do Douro.
Saborear o vento norte que fustiga a pele ressequida
pelo frio que transporta.
Ver
as crianças embrulhadas em roupas quentes,
os cães a correrem, esticando as suas longas
pernas no chão gelado.
Contrastante, reparei numa senhora vestida de negro,
criança encostada ao peito, mal tapada por
um xaile que já fora pasto de traças
esfaimadas e que deixava antever um rosto pequenino,
vermelho-azulado, transido de frio...
Aos poucos foi-se encostando ao carro do assador de
castanhas que, freneticamente, dava à manivela
atiçando o fogo...
Desci as escadas até ao passadiço inferior,
passei por cafés e bares ocupados por meia
dúzia de clientes que lêem, conversam
ou simplesmente, de rostos esticados, apanham o sol
do fim da tarde. Fui sentar-me nas areias suja-douradas
da Praia do Molhe.
As
águas do mar, esverdeadas, espelham farrapos
brancos que passam pelo céu azul. No horizonte,
começa a desenhar-se uma neblina que vai tomando
várias formas e cores, conforme o astro rei
vai descendo...
Uma
gaivota de asas esticadas sulca o disco solar num
espreguiçar de fim de tarde.
O
vento serenou. O sol mergulha lentamente nas calmas
águas do mar, dardejando o céu que vai
tomando as mais variadas cores, misturando-as em tons
alaranjados que salpicam o céu azul em nuances,
resultantes dos vermelhos que se misturam com o verde
do mar e dos amarelos que se projectam no horizonte.
O sol mergulha nas águas e tudo fica mais calmo.
As águas tomam cores menos luminosas, o azul
do céu vai-se esbatendo para um cinza avermelhado
até se diluir no tom cinzento doirado que antecipa
a noite.
A estrela da tarde aparece, agora, mais luminosa...
Um bando de gaivotas faz vôo rasante às
águas tranqüilas do mar, numa espécie
de saudação ao astro rei...
Autor:
José Gomes
05/03/05
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