Hoje de manhã levantei-me cedo.
Grossas nuvens toldavam um céu ainda escuro, ameaçador
de uma forte chuvada que não tardaria a cair.
Cheirava-me, não sei bem porquê, a aldeia!...
talvez porque das traseiras da minha casa ainda veja campos
lavrados e ao longe, entre os pirilampos de luzes públicas,
advinho o que vai restando das árvores semeadas nos
montes - outrora floresta densa - que se estendem no escuro.
O moinho de vento, em primeiro plano, faz girar as suas
pás, gemendo à brisa que passa, enquanto a
sua cauda metálica tenta seguir o mínimo sopro
da aragem que por ela passa.
Os galos começam a cantar, aqui um, mais além
outro, mais ao fundo acorda outro, juntando a sua voz ao
silêncio que, lentamente, começa a despertar!
Debruço-me na janela e sinto que o Outono está
a chegar...
Os dias já são mais curtos, mais frescos,
sinto até que o vento é diferente!
O dia vai esmoendo o alvorecer e reparo, então, na
folhagem das árvores que estão a deixar os
seus tons esverdeados que conheci até há poucos
dias atrás e que começam, agora, a vestir-se
de cores quentes, donde sobressaem os castanhos, os vermelhos,
os dourados...
As folhas começam a cair num bailado de harmonia
e cor e quedam-se, imóveis, já sem vida, enfeitando
o chão com um tapete crocante, emprestando à
natureza as cores de uma estação em mutação!
As andorinhas, os estorninhos, os patos e outras aves começam
a sua viagem para terras mais quentes...
Sinto
que há qualquer coisa especial no ar!
São as primeiras chuvas, as primeiras trovoadas em
concerto de som e luz, o cheiro a terra húmida...
O azul do céu, quando consegue furar o manto das
nuvens, é mais pálido e mais triste.
Os pássaros residentes esvoaçam, agitados,
de árvore em árvore, procurando um refúgio
para a chuva, para as noites frias, para a curiosidade mórbida
dos predadores...
É o Outono que se aproxima a passos agigantados!...
O
pôr-do-sol pinta o horizonte de vermelho e as nuvens
do fim da tarde vestem-se de cores vivas, numa miscelânea
de roxos, castanhos, azuis...
Cores que me dizem que é chegado o Outono... sarapintado
de nostalgia!
Cores que me convidam a caminhar ao encontro da Harmonia
e a irmanar-me com a Natureza num amplexo de Paz, de Bem
Estar e de reencontro com a Mãe Terra.
Autor:
José Gomes
04 de
Setembro de 2004
|
Envie
esta página
Clique na Imagem |
|