Despertei
com o apito do navio, de repente as luzes
da coberta iluminaram os corredores. Mal despertei
tocou faina geral baldeação
Olhei pela vigia, Havia uma neblina leve,
coisa normal naqueles mares.
Tínhamos terminado a baldeação,
e o navio navegava em marcha lenta para o
porto. Vez por outra cruzávamos com
uma outra embarcação que passava
por entre a neblina como fantasma. As águas
plácidas límpidas transparentes
refletiam uma luz fosca do sol sem brilho
que lutava para cortar a massa cinza, refletindo
seu brilho iridescente através da neblina.
Yakut, encostado na borda olhando os carretéis
de espumas, que se misturavam às folhas
tingidas de vermelho e amarelo que flutuavam
no canal; parecia Narciso vendo sua imagem
refletida no espelho das águas, ao
me ver disse: “Cassiano amigo meu” era assim
que meu colega me chamava. Vamos da um soco
por ai! Eu lhe respondi: já esqueceste
que quase ficamos em Fort Lawderdale? Que
nada amigo meu conheço essa cidade.
O navio atracou em Copenhague por volta das
dez horas, em seguida tocou licença,
naqueles dias saiamos ainda fardados não
tínhamos permissão para usar
os trajes civis. Fomos ao comercio, compramos
brinquedos e voltamos inda com folga para
o rancho.
Eram quase dezenove horas quando o Yakut disse
vamos amigo meu, vamos conhecer o tívoli
park? Disse vamos! Assim saímos caminhando
pela praça “Gefion”fiquei muito surpreso
com tantos homossexuais eles estavam em todos
os lugares sai dali correndo só parei
a no cais onde fica a pequena sereia sentada
sobre a pedra com olhar fixo a vigiar o cais,
como se enamorasse dos marinheiros que por
ali passassem.
Já no final da noite não suportava
o frio queria voltar, mas por insistência
do Yakut concordei em ir num bar na Frederikstrassem,
onde sabia ser local freqüentado por
marinheiros. Há! Que beleza o local
era aquecido movimentado, ali encontramos
outros colegas do navio entre um gole e outro
ouvia musica.
O pianista era um gaúcho de porto alegre
que residia ali, e de vez enquanto também
freqüentava o bar. Num canto do balcão
estava uma jovem morena que me sorriu a principio
achei que não fosse para min depois
meio desconcertado me aproximei disse: Ola
em português em ela respondeu-me em
espanhol como vai usted ?
Ai foi fácil logo estávamos
nos descobrindo o nome dela era Alicia Giroldo
era Venezuelana e camareira num navio norueguês
disse que morava ali perto que costuma vir
ali porque o bar era freqüentado por
latinos. Com a continuação da
conversa senti-me atraído por ela.
Dançamos merengue e salsa. Eu bailava
entre a dança e copo já não
sabiam o que fazia. Estava inebriado por Alicia,
parece que todas as flexas do cupido tinham
me acertado.
Na madrugada fria já não havia
ninguém no bar todos forram saindo
eu também voltaria para bordo, mas
senti os braços de alicia me circular
o corpo e disse baixinho no meu ouvido você
vai comigo? Naquele instante parece que se
acendeu uma fogueara no meu coração
fui tomado de um desejo estúpido da
concupiscência. Saímos dali abraçados
como um casal de namorados.
Alicia morava num bloco de apartamentos logo
na frente tinha muitas bicicletas estacionadas.
Ainda nem amanhecera quando ela disse-me você
precisa ir embora, a contra gosto me levantei
e comecei a me vestir enquanto ela explicava
suas razões não entendidas por
min,. Ela acendeu as luzes da sala observei
que era toda embutida de forma a luz não
ferir nossa visão, somente agora na
saída tinha visto o bom gosto de seu
apartamento e a maciez do tapete de seu quarto.
Quando abriu a porta fez sinal de silencio
para que eu não fizesse barulho, sai
com a promessa de nos encontrarmos mais tarde.
Na rua estava perdido se não fosse
um táxi que passava, e levou-me a te
o navio.
Passeio resto do dia a pensar naquela deusa
que me apareceu.
Ainda pensava nos últimos momentos
na intimidade do seu quarto, entre beijos
e abraços debaixo dos lençóis.
Quando ouvi o fonoclama mn Cassiano ao portaló
para minha surpresa era ela, quando a vi meu
coração inflou de felicidade.
Deu-me um sorriso iluminado como arco íris
e seu beijo foi cálido, perfumado como
as manhãs de primavera.
Naquele dia houve visitação
publica, ela veio a abordo trouxe uns amigos
de bordo e na conversa disse me que trabalhava
no navio Radhuset de bandeira norueguesa,
que viajaria no dia seguinte. Naquele dia
nos despedimos com um beijo apaixonado beijo
e a promessa de logo mais a noite nos encontrarmos.
Na despedida pude ver nos seus olhos o brilho
incessante da paixão que acometem a
todos apaixonados sem esperança, percebi
que já sentíamos a melancolia
da despedida.
Cheguei no bar às nove horas a minha
japona estava lá no cabide ninguém
a pegara vesti a fiquei esperando a minha
amada que só chegou quase onze horas,
corremos um para outro ali juntinho ela me
disse que sairia dali direto para o navio
visto que o navio tinha carregado antes do
tempo, mas que nos encontraria em Oslo.
Nos sabíamos que poderia acontecer
era difícil, mas quem ama acredita.
Nos despedimos chorosos meus coração
estava consternado, mas eu sentia-me auspicioso
com as promessas alvissareiras pronunciadas
com compunção. Deixei-a no cais
com a promessa de um amor indelével,
selamos nossa despedida com um beijo ardente
que deu outra dimensão ao perfume das
manhãs outonais, e nossos olhares plangentes
se encontraram e num ultimo adeus.
Ali fiquei por um instante sorvendo o sabor
de seu beijo enquanto ela se a afastava deixando
a fragrância do seu cheiro. Fui para
bordo e nas minhas ilações desejoso
que chegasse o novo dia pra que eu pudesse
encontra-la para viver o nosso idílio.
Eram seis horas da manhã quando vi
o barco dela ao largo, singrando lentamente
as águas em busca do mar.
O Custodio suspendeu por volta das oito horas
com destino ao porto de Oslo, na travessia
a solidão me acompanhou, meus pensamentos
divagava infeliz, mas tinha esperança
de reencontrar a minha paixão, e matar
as saudades que apertava meu coração.
No dia da chegada Colocamos iluminação
de festa em arco e nas bordas do navio. Depois
do almoço fui nas docas e descobri
o que o navio da Alicia ai não aportara.
Muito embora sem noção do tempo
porque em Oslo não escurece, mas acho
que era a tarde quando fui convidado para
um passeio marítimo viajaríamos
ao norte de Oslo para ver o solstício
de verão, e o dia em que se ver o sol
da meia noite. Pensando na Alicia, na sua
possível chegada fiquei em duvida,
mas fui a final na volta poderia lhe procurar.
O barco navegou durante umas duas horas ate
uma enseada no final de um fiorde ali poderíamos
ver o sol nascer foi um do passeio mais bonito
que já fiz nunca vou esquecer. Havia
muitos barcos de varias nacionalidades muitas
bandas tocando muita alegria tanto no mar
como em terra que saldavam os barcos com fogos
de artifício.
Nunca dancei nada na vida, mas naquela alegria
ao som da banda não exitei de dar uns
passos. Era cinco para meia noite quando sol
começou nascer meia noite já
havia se posto quase que totalmente, na realidade
quando sol começa a nascer e o inicio
do ocaso.
Na manhã seguinte fomos à praça
central de Oslo li havia uma orquestra tocando
clássico, o pessoal de bordo levara
agogô, pandeiro, repenique e outras
peças de samba, e começaram
a bater os instrumentos, logo a platéia
se voltou para nos. E assim que o maestro
encerrou os trabalhos, não demorou
muito o samba rolava na praça, ali
eu me misturei com o povo e me apaixonei por
aquele país.
Passara se dois dias e o navio de alicia não
veio no ultimo dia fiquei a espera observando
o mar. Naquela noite fiquei no tombadilho
embrulhado na japona, cuidando para que o
navio não chegasse sem que eu o visse,
fiquei ate altas horas andando pelos conveses
sempre olhando o mar, aflito pela distancia
da musa amada desejoso de viver o nosso idílio.
Às nove horas da manhã o navio
suspendeu, ainda ouvindo o som lamurioso de
um trompete tocando carinhoso, vi o Radhuset
que passava ao largo corri para o tombadilho
e com lagrimas nos lhos vi uma mão
acenando distante através da neblina.
Hoje ainda minha alma marinheira anda pelos
conveses escuros em noite apagada ouvindo
o murmúrio do mar. E no silencio das
noites claras ouço as vozes secretas
do coração, penso nela sinto
me inebriado pelo seu cheiro e desejo que
sinta um arrepio no corpo um leve toque do
meu para o seu coração. Em pensamentos
envio a ela as lembranças dos nossos
momentos, do nosso idílio de amor.
Autor:
Gilson Cassiano de Góes