O
soalheiro estava forte quando cheguei debaixo do pé
de tamarindo, ali olhando o Potengi que descia placidamente
observei os aficionados por pescaria jogando suas linhas.
Alguns aproveitavam a sombra e faziam a cesta, eu ouvia
novidades o que rolava no final de semana, jogava conversa
fora.
Soprava
um vento salino cheirando a maresia, quando Luzimar chegou,
perguntei-lhe como fora à festa do domingo. Disse-me
envaidecido que tinha saída com uma garota ufanava-se
que a tinha “descabaçado”. Quis saber quem era
ela, mas ele não quis falar no assunto só
disse que ela morava nas quintas, “bairro de Natal” era
solteira e morava com uma amiga.
Os
dias passaram, no final de semana nos encontramos na casa
do marinheiro foi quando ele me apresentou a Sofia, uma
morena cor de cobre bastante simpática. Meu amigo
esqueceu da lei da selva às vezes caça vira
caçador, foi ele quem foi laçado e nem percebeu.
Observei que ela era dessas sonsas pouco falante.
Com
o tempo estavam apaixonados ambos juravam amor eterno.
Luzimar resolveu apresenta-la a sua mãe que a recebeu
muito a contragosto. Mas achava que era um namoro passageiro
como tantos outros do seu conhecimento. Com o tempo descobri
que Sofia era uma dessas meninas, liberta e acostumada
a saídas noturnas, nada que fosse de uma moça
responsável. Sofia cursava o artigo 99, e costumava
sair da escola com as amigas para lugares nada recomendáveis
com alguns amigos de carro.
Tentei
dizer isso para o meu amigo para não acusar minha
consciência de nenhuma negligência. Cheio
de eufemismo, disse lhe o que sabia, ele respondeu: “Que
nada ela sai da escola com os colegas, e as pessoas de
mente suja, ficam tecendo comentário desairoso”.
Embora eu o visse com a máxima consternação
caminhar a passos firmes para um destino duvidoso, porém
diante de tanta firmeza de caráter calei-me e nunca
mais falei nada.
A
senhora sua mãe, passou a aconselha-lo a largar
a moça, alegando que ela não servia para
ele. Mas ele sempre dizia: Mãe! Você quer
que eu viva solteiro eternamente? Vou casar com ela, a
senhora chegou a refletir sobre todos as misérias
da prostituição as quais ela está
sujeita se eu a abandonar?. Visto que Luzimar já
passava dos trinta ela calou.
Sofia jurava ternura entre os abraços e com a mesma
freqüência jurava não sobreviver ao
seu desamparo. Realmente com quanta presteza sua mãe
se disporia a estraçalha-la.
Alguns meses se passaram, Luzimar casou com Sofia, podia
vê-los felizes, porque do amor procede a música,
e amar desperta essa terna paixão em cada olhar,
e na maneira de ser. Pois a vi adornada de todos os encantos,
com a ternura respirando doçura, nos lábios
cor de rosa desprendendo vivíssimo fulgor, nos
olhos faiscante de paixão. Embora supunha muitas
pessoas, que uma afeição baseada no entendimento
seja mais duradoura, que as que se funde na beleza.
Depois
de casado, Luzimar continuou a custear o curso de Sofia.
Sofia começou a trabalhar num laboratório,
com o tempo o laboratório tomou todo espaço
de Luzimar, que começou a sentir-se incomodado,
e pediu a Sofia para sair do trabalho, para tomar conta
da filha, ela disse que não podia, que o médico
dependia muito dela.
Ate nos finais de semana tinha que trabalhar, isso era
demais.
As
más línguas andavam cochichando pelos cantos,
numa cidade pequena não se pode fazer nada escondido.
Luzimar descobriu que enquanto tomava conta da filha,
sua mulher estava enroscada nos braços do médico
no laboratório, deu um cheque mate tinha que largar
o trabalho, Sofia disse: “Não! Prefiro sair de
casa” meu amigo percebeu que estava nadando em águas
pantanosas. Não demorou muito, Sofia largou a casa,
e foi morar com uma pessoa que conhecera no laboratório.
Foi um grande golpe para o Luzimar.
Desesperado
deixou a filha aos cuidados da mãe. Continuou a
sua vida trabalhando. Passaram-se uns meses, vez por outra
Sofia vinha visitar a filha, não era raro ver as
marca de espaçamentos pelo corpo. Um dia externou
o desejo de voltar para casa e pediu perdão ao
Luzimar, os quais só poderiam ser perdoados, por
um arrependimento sincero e completo.
Luzimar
argüiu a causa desse dissoluto desejo de tomar conta
da filha, ela não respondeu, somente dirigiu um
olhar cheio de ternura que quase lhe denúncia à
existência de um armistício, e a compulsão
do espírito corrompido. Porque havia traído
seu marido por outro que a pouco lhe abandonara.
O
certo é que ele viu a luz da compaixão,
embora o amor que lhe tenha causado grandes desgostos
pela inconstância do objeto de seu desejo. Sentiu-se
abalado ao refletir que fora ele quem lhe corrompera a
inocência, pois todos vícios são atribuídos
a corrupção em que ela perecia.
Porém,
Luzimar não queria aceitar, pela sua cabeça
ainda passava as lembranças do escândalo
que se deu, quando ela foi embora. Luzimar estava com
o coração empedernido tinha receio de conceder
favores, a quem depois se revelar indigno deles, por isso
nada poderia demolir o endurecimento de seu coração.
Sofia,
como a viúva que derrama com abundância uma
torrente de lágrimas sobre o esquife do marido,
chorava sobre as cinzas, com medo de nunca mais poder
atormenta-lo.
Quando
a pequena Sandra, viu a mãe em prantos, correu
para ela e disse; Deixa pai, deixa! E a fortaleza dele
foi tomada de surpresa, e todas as considerações
de honra e de prudência, que o nosso herói
postara com tanta sabedoria, como sentinela na estrada
de acesso ao do seu coração desertaram de
seus postos, e Eros fez nele sua entrada triunfal.
O nosso herói cedeu aos caprichos da pequena Sandra.
Meses depois nos mudamos...
Autor:
Gilson Cassiano de Góes