Minha
Vó era uma mulher obstinada lutadora trabalhou sozinha para criar
seus filhos e ainda criou os netos. Durante a minha vida na companhia
de minha vó aprendi o modelo da humildade vividos e por exemplo. Vou lhes preparar um almoço de gala em seguida quebrou um coco e sentada sobre um lado da tabua do ralador de coco ralava muito feliz. Logo chegou o garoto com alguns chama maré ainda vivo. Ela imediatamente jogou água fervendo sobre os caranguejos que ficaram vermelhos. E em seguida os limpou com maestria. Enquanto
os caranguejos a cozinhavam amassou o coco com farinho ate que se misturassem
levou ao fogo e com cuidado para que não soltasse óleo sapecou
durante alguns minutos numa frigideira confesso nunca como farofa tão
gostosa ainda posso ver os caranguejos vermelhos dentro dos pratos esmaltados
com as bordas descascadas sobre as rodilhas trançadas com cipó,
sobre a mesa. Aprendi que ser pobre não é feio, mas que mesquinhez destrói as pessoas, enquanto a generosidade as engrandece. Aprendi
também gostar da liberdade, por muitos exemplos de minha Vó.
Sempre torrávamos café uma vez por mês, ainda posso
lembrar o café torrada no caco parecia vidro o que nos quebrávamos
e colocávamos no pilão e minha vó ia pilando com
firmeza vez ou outra ela saia para o canto da cerca e com naturalidade
levantava a saia e fazia xixi só então descobri que ela
não usava as sua roupas intimas. Fui de um tempo em mulher não podia saber ler para não mandar carta paro os namorados. Ainda muito jovem fui confidente, detentora de segredos e muitas estórias de amor de cartas que escrevia ou lia para muitas jovens enamoradas. Como senão bastasse eu também era uma delas tão apaixonada e por isso era castigada, tendo largar tudo amava. Com
a alma em prantos em profunda lucubração, despedia-me dos
meus últimos dias ali antes de vir para o Rio de janeiro. Em maio
as acácias floridas se desnudavam e as ultimas flores do outono
caiam como confete sobre min. Cheguei
no rio de janeiro ainda com os olhos vermelho de chorar. Na rodoviária
estava meu pai me esperando, com carinho me levou para casa e me apresentou
sua outra mulher com eles vivi os anos felizes da minha adolescência. Guardo em min as doces lembranças do que fui do que era de como fiz, de como me fazia presente naquele passado hoje tão distante. Depois
de algum tempo vivendo com minha nova família, minha madrasta começou
a mudar. Logo que arranjei o primeiro namorado, Vieram os maus tratos,
minha madrasta passou a tratar-me, como a lacaio alem de tudo ainda fazia
fuxico de min a meu pai que para minha infelicidade acreditava em tudo
que lhe era dito.
Minha vida tornou-se um inferno. Uma tarde fui castigada pelo meu pai
que prometeu de me abandonar na central da Brasil, naqueles dias esse
local e tido como antro de prostituição e vagabundagem . “Você
pode falar comigo um pouquinho” respondi-lhe que não falava
com desconhecido, mas ela insistiu “Eu não sou uma qualquer
sou sua mãe” Quase morri de tanto medo, cheguei e casa ainda
tremula e contei para o meu pai o ocorrido, o que êle me respondeu
cheio de eufeismo “E verdade ela sua mãe aquela história
do trem tela matado era só para você deixar de procurar-la. Casei-me ainda nova e tive anos felizes em minha vida. Os dias felizes guardo com aprendizado, sentindo saudades do já se foi, mas as boas lembranças sempre estão presentes em minha mente assim como o clarear do dia em cada amanhecer restando-me somente as boas lembranças. Formatei
o passado e reconfigurei minha vida, e continuo teclando a minha história,
mas ainda passo noites insones rebuscando no passado os sonhos distantes
que suavize a minha senda. Fim!
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