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Minha
Vó era uma mulher obstinada lutadora trabalhou sozinha
para criar seus filhos e ainda criou os netos. Durante a minha
vida na companhia de minha vó aprendi o modelo da humildade
vividos e por exemplo.
Numa
manhã ensolarada fui com minha Vó fazer as compras
na feira que acontecia no domingo, perto da rua do mangue.
Após fazer as compras nos dirigimos para casa de uma
sua amiga pelo caminha cruzamos algumas passarelas sobre os
canais que passavam por baixo das palafitas.
As
sombras da tarde já se debruçavam por sobre
os manguezais que refletiam as cores verdes das folhas que
contrastavam com o azul claro do céu quando batemos
palmas numa casa.
Pela janela vi que a sala era simples com poucos moveis e
muito limpa logo saiu uma senhora amável que nos fez
entrar, casa era muito pobre havia poucos assentos um sofá
meio carcomido desgastado pelo uso, mas se podia ver que ra
muito limpa, as panelas de barro enegrecidas pela fuligem
descansavam sobre fogão de lenha.
Como
chegamos numa hora perto do almoço a senhora mais que
depressa falou para o filho; “Va, veja se seu pai manda
uns chama maré pra min fazer o almoço”.
Minha Vó percebendo que não havia nada para
o almoço disse vamos embora porem aquela senhora gentilmente
disse não!
Vou
lhes preparar um almoço de gala em seguida quebrou
um coco e sentada sobre um lado da tabua do ralador de coco
ralava muito feliz. Logo chegou o garoto com alguns chama
maré ainda vivo. Ela imediatamente jogou água
fervendo sobre os caranguejos que ficaram vermelhos. E em
seguida os limpou com maestria.
Enquanto
os caranguejos a cozinhavam amassou o coco com farinho ate
que se misturassem levou ao fogo e com cuidado para que não
soltasse óleo sapecou durante alguns minutos numa frigideira
confesso nunca como farofa tão gostosa ainda posso
ver os caranguejos vermelhos dentro dos pratos esmaltados
com as bordas descascadas sobre as rodilhas trançadas
com cipó, sobre a mesa.
Muito embora minha Vó não tenha comido disse
cheia de pejo “Não como nada do mar”
Aprendi que ser pobre não é feio, mas que mesquinhez
destrói as pessoas, enquanto a generosidade as engrandece.
Aprendi
também gostar da liberdade, por muitos exemplos de
minha Vó. Sempre torrávamos café uma
vez por mês, ainda posso lembrar o café torrada
no caco parecia vidro o que nos quebrávamos e colocávamos
no pilão e minha vó ia pilando com firmeza vez
ou outra ela saia para o canto da cerca e com naturalidade
levantava a saia e fazia xixi só então descobri
que ela não usava as sua roupas intimas.
Era
severa, inflexível um dia descobriu que eu estava namorando
e logo disse “: Vou lhe mandar para seu pai, não
posso cuidar de uma menina já namorando”. Chorei
muito não queria abdicar de meu primeiro amor.
Fui
de um tempo em mulher não podia saber ler para não
mandar carta paro os namorados. Ainda muito jovem fui confidente,
detentora de segredos e muitas estórias de amor de
cartas que escrevia ou lia para muitas jovens enamoradas.
Como senão bastasse eu também era uma delas
tão apaixonada e por isso era castigada, tendo largar
tudo amava.
Com
a alma em prantos em profunda lucubração, despedia-me
dos meus últimos dias ali antes de vir para o Rio de
janeiro. Em maio as acácias floridas se desnudavam
e as ultimas flores do outono caiam como confete sobre mim.
Enquanto
meu olhar distante, e apaixonado vislumbrava a cor cambiante
das folhas que cobria a rua empoeirada e triste porque ali
ficava um pouco de meu coração.
Cheguei
no rio de janeiro ainda com os olhos vermelho de chorar. Na
rodoviária estava meu pai me esperando, com carinho
me levou para casa e me apresentou sua outra mulher com eles
vivi os anos felizes da minha adolescência.
O
Rio de Janeiro era lindo fiquei deslumbrada com as coisas
que vivenciei na minha juventude. Eram as minissaias, e blusas
de latex, colada ao corpo que usávamos para seduzir
os mortais. Embalados pelo som dos Beatles, que marcaram a
minha juventude. Muito embora meu pai não permitisse
que eu usasse, porque considerava roupa de prostituta.
Guardo
em min as doces lembranças do que fui do que era de
como fiz, de como me fazia presente naquele passado hoje tão
distante.
Depois
de algum tempo vivendo com minha nova família, minha
madrasta começou a mudar. Logo que arranjei o primeiro
namorado, Vieram os maus tratos, minha madrasta passou a tratar-me,
como a lacaio alem de tudo ainda fazia fuxico de min a meu
pai que para minha infelicidade acreditava em tudo que lhe
era dito.
Com
o tempo descobri que ela traia meu pai, mas isso só
piorou a minha vida porque ela roubava-lhe o dinheiro e dizia
que eu pegava para dar a meu namorado.
Minha vida tornou-se um inferno. Uma tarde fui castigada pelo
meu pai que prometeu de me abandonar na central da Brasil,
naqueles dias esse local e tido como antro de prostituição
e vagabundagem.
Fui
para o colégio naquela tarde fustigada pela dor que
torturava meu coração a promessa de meu pai
de me abandonar na central do Brasil, me vergastavam a alma.
Soprada pelos ventos da tristeza fui para o colégio
naqueel dia.
Porem
Deus protege os seus. Naquela tarde uma mulher me seguiu e
antes que entrasse no colégio disse-me:-
“Você
pode falar comigo um pouquinho” respondi-lhe que não
falava com desconhecido, mas ela insistiu “Eu não
sou uma qualquer sou sua mãe” Quase morri de
tanto medo, cheguei e casa ainda tremula e contei para o meu
pai o ocorrido, o que êle me respondeu cheio de eufeismo
“E verdade ela sua mãe aquela história
do trem tela matado era só para você deixar de
procurar-la.
Só
então pude ver como meu pai foi desleal, pérfido
por me esconder à verdade durante tanto tempo e que
agora revelava para se ver livre de mim.
Dei
graça a Deus ter ido morar com minha mãe. Assim
ficando livre da perversa sina que meu pai pretendia me atirar.
Casei-me
ainda nova e tive anos felizes em minha vida.
Os
dias felizes guardo com aprendizado, sentindo saudades do
já se foi, mas as boas lembranças sempre estão
presentes em minha mente assim como o clarear do dia em cada
amanhecer restando-me somente as boas lembranças.
Formatei
o passado e reconfigurei minha vida, e continuo teclando a
minha história, mas ainda passo noites insones rebuscando
no passado os sonhos distantes que suavize a minha senda.
Porém
as vezes me encontro no meio da jornada procuro fugir escondendo
me no passado saudoso nas lembranças de quem não
quer sofrer, desejosa de que este corpo temporário
sustente este espírito que não me pertence.
Fim!

Autor:
Gilson Cassiano de Góes
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