Tudo na vida passa, porém nossas recordações permanecem latentes em nossa vida, somente as lembranças são para sempre. Passado que marca, e do rumo em nosso presente. Dolores ainda era uma menina quando desceu a o morro da saúde, para fazer sua primeira viagem ao nordeste, para conhecer os avós. Parecia uma bonequinha, toda serelepe segurando a mão de seu pai que não a soltava, caminhava feliz em direção ao porto na praça Mauá. O vento soprava espalhando sua cabeleira loira como cabelo de milho só de vez enquanto retirava uma mecha de cabelo mais atrevidas que lhe caia sobre o rosto suado. Naqueles dias de verão que antecedia o carnaval. Seus pais combinaram de viajar para Cabedelo, era lá que meus seus avós paterno moravam. A sua primeira separação foi muito dolorosa visto que nunca havia separado de sua mãe, ela viajaria de navio com eu pai e sua mãe deveria ir de ônibus. Naqueles dias os ônibus eram muito desconfortáveis erram aqueles Mercedes Benz cara curta, quando parava ficava tremendo, ou naqueles carros misto de cabine de pau. Dona Jandira, sua mãe teve uma viagem muito sofrida o que era muito comum visto o desconforto dentro dos ônibus sem água e as estradas esburacadas, as necessidades físicas eram feitas na beira da estrada. Às vezes demorava ate que alguém pedisse para parar o carro. O carro parava nos lugares desolado onde havia mato, os homens iam pro um lado as mulheres para outro nas moitas na beira da estrada forram nove dias de viagem. O que era bastante para destruir-lhes a alto estima. Encontrei Dolores já uma senhora mãe de três filhas ainda jovem e bonita, mas já não tinha nada daquela menininha loira. Indaguei como foi sua vida lá com sua Vó, ela com o semblante triste me foi relatando com ar saudoso. Com meu pai depois da partida de minha mãe embarcamos num cargueiro do Loid Brasileiro carregado de milho. Muito alegre e extrovertida logo virei mascote no navio em quanto meu pai trabalhava. Eu vivia pelo convés vestida num macacão sendo paparicada por todos, eu era só uma loirinha que todos queriam abraçar. Durante os dias de mar ficava fascinada com as aves marinha que dardejavam sobre a chaminé aproveitando os vapores ascendentes que dali subiam em carretéis às vezes de fumaça. Quando as sombras da noite caiam sobre o mar, o navio ficava solitário, quando meu pai estava de serviço no passadiço eu ficava com ele gostava do movimento da ponte de comando alem de ouvir ele contar as historias de marinheiro que tanto me fascinava. E quando cansada me banhava com o brilho da lua salpicadas de estrelas, que no mar pareciam tão perto que se podia alcançar. Durante a travessia muitas vezes dormia no colo de meu pai ninado pelo barulho da máquina, que saia por cima das gaiutas. Adormecida meu pai carinhosamente me carregava ate o beliche onde eu dormia para no dia seguinte esta pronta para mais longo dia na rotina de bordo, como marinheira. Apos tantos anos ainda posso ver minhas roupas estendidas parecendo bandeiras, em varais improvisados entre os mastros do navio, é com saudades que faço este relato antes que as nuvens opacas do tempo apaguem as minhas lembranças. No
último dia de viagem o mar estava enfarruscado da cabine do piloto
podia ver as enormes vagas que se abriam na proa do navio. Quando o sol
deitou-se par o sono meu pai disse: “vá dormir para amanhã
se levantar cedo”. De manhã o mar estava acalmo a chuva amainou e agora o navio navegava em silencio cortando as água plácidas. O sol nasceu doirado com todo fulgor o brilho tépido dissipou os últimos vestígios da noite anterior. Já havia tomado café quando ouvi meu pai dizer: “Estamos chegando olha por boreste”, e me levou para junto da borda, diante de meus olhos via uma seqüência de montes cobertos de mata verde escuro contrastando como o dourado do sol. Já se avistava cidade quando desci para me arrumar. Quando subi novamente o navio estava entrando na barra ali via a cidade que descortinava diante de meus olhos cheios de emoção. As águas passavam ao lado do navio como serpentinas levando as flores murchas da primavera. Ante de desembarcar recebi beijos e abraços daqueles que tomavam conta de min, e com os olhos marejados desci as escadas dando um ultimo adeus àqueles homens rústicos e dourados de sol, que durante aquela travessia forram crianças comigo. No ultimo degrau olhei para traz senti que ali ficara um pouco de min foi como eu tivesse deixando algo. No cais estava minha Vó que me abraçou e cobriu-me de beijos.Saímos para casa e ainda mais uma vez olhei para traz o cargueiro estava sendo alijado. Dois dias depois minha mãe chegou. Para min foi uma grande alegria sentia falta do carinho de minha mãe, depois de uns dias podia sentir que as coisas não iam bem com minha mãe eu a vi chorando, nada podia fazer alem de brincar com meu irmão e com as outras meninas da vizinhança. Se não vez por outra sentia saudades do mar para onde os meus pensamentos me levavam, visto que morava perto do porto fugi algumas vezes o que causou muitas preocupações a minha família, mas sempre parava na calçada da igreja onde ali descansava respirando a brisa salina. Os dias passaram cálido e ensolarados ouvi uma conversa que logo descobri porque minha mãe andava melancólica em suas ilações, era que minha Vó desaprovava o casamento meu pai com minha mãe, porque ela era escura, minha Vó de maneira despótica destratava minha mãe com palavras vulgares assacando-lhe as mais injuriosas difamações alem de trata-la com menoscabo. As constantes alfinetadas aceleraram a volta de minha mãe para o Rio de Janeiro ficando eu para voltar com meu pai na volta do navio. E esperando a volta do navio passei quinze anos morando com minha Vó. Para min e meu irmão disseram que minha mãe havia morrido num acidente de trem eu creditei nisso, mas nunca pude constatar, só muitos anos depois quando voltei a ver minha mãe soube por ela que no regresso do navio ela me procurou e meu pai perfidamente disse-lhe que não poderia deixar-me voltar porque a minha Vó ia morrer de saudades. Desde então minha mãe ficou sem noticias minhas, somente o amor alimentava o sonho de me reencontrar. Continua...
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