Naquela
manhã ensolarada Em quanto
ouvia os últimos conselhos
de meu pai, ali perto uma mãe
chorosa beijava sua linda filha, que
em prantos dizia que ia sentir muitas
saudades, me chamou a tenção
porque tive a impressão que
já há tinha visto em
algum lugar.
Fiquei curioso mais teria tempo para
saber. Quando o ônibus deu partida
pude ver meu pai enxugando uma lagrima
que rolava por debaixo dos óculos.
O ônibus dobrou a esquina e
eu perdi a ultima visão do
meu pai. Havia ficado na estação
profundamente triste.
O carro desembalou a correr de estrada
á afora, no primeiro dia pouco
se falou ainda estávamos muito
chorosos com a partida, ainda estava
muito presente. O rádio tocava
sem lenço nem documento.
Ainda compungido olhei em volta e
vi minha conhecida, que estava lá
nos fundos do ônibus já
numa conversa animada com outros rapazes
fiquei a pensar ate que me lembrei
que havia conhecido ela na casa do
marinheiro, senti uma grande satisfação.
Naquele momento minha mente retornou
ao ultimo carnaval e eu revivi os
momentos sombrios e aflitivos daquela
madrugada. Já tinha ingerido
um litro de rum, era o ultimo dia
de carnaval, quando Eliezer me chamou
e disse ao meu ouvido, “Estamos doidos
para sair mais a garota só
vai se a colega for” eu e me apresentei
e logo fui apresentado a Dorinha,
nem conversamos direito Eliezer chamou
vamos para ponta negra acordar o sol.
Na areia da praia nós nos amamos
sob o cobertor de estrelas ouvido
o barulho das ondas mansas sob o olhar
imponente do morro do careca. Ali
ainda nus, banhados de areia, demos
por falta das chaves do carro, e começamos
a busca, o dia já estava raiando
e nada de encontrarmos, começávamos
a nos desesperar, pois logo começaria
o movimento dos pescadores.
Cogitei quebrarmos os vidros do carro,
mas o dono ficou brabo e disse: “Se
não acharmos vamos esperar
o dia nu” e logo começou a
xingar todo mundo culpando a todos
pela sua sorte.
As meninas começaram a chorar,
foram chamadas de todas as palavras,
que o verbo pode definir, devassa
vadia, regateira, meretriz, e outras
denominações que ferem
a quem a traz desonra do sexo. Mas
com o dia já claro foi mais
fácil procurar por fim depois
de algum tempo felizmente achamos
a maldita chave.
A viagem continuou durante o dia sem
nenhum atropelo, procurei falar com
a Amarílis, esse era o seu
nome, mas ela estava sempre bem acompanhada.
Nessas viagens sempre se escutas nos
cafés e nos bares os mexericos
que acontece nos últimos bancos
na calada da noite.
No café da manhã ouvi
os moços comentarem dos prazeres
amorosos do ultimo banco, na verdade
eu percebera que ela mudou de lugar,
pelo menos umas três vezes durante
a noite. O amor das mulheres e incerto
e caprichoso e tão dúbio
que nem sempre podemos entender antes
pode se duvidar de que elas próprias
o saibam, o certo e que o sopro mais
rude pagã dos ventos da aurora
boreais do oriente sopraram a sorte
do meigo fauno no seu leito fragrante,
cujos encantamentos trouxe a sua câmara
a encantadora Amarílis perfumada
de gotas de orvalho, ela veio ate
minha poltrona e me rendeu homenagens.
Olá, a disse; Posso me sentar
respondi-lhe; É um prazer,
na nossa conversa lembrei a ela do
caso acontecido naquela noite de carnaval
disse que era eu que estava com Dorinha
ela ficou surpresa e rimos do caso
passado.
Perguntei pelo Eliezer disse-me nunca
mais tê-lo visto já fazia
tempo, quis saber o que ela ia fazer
no Rio, ela disse que ia encontrar
com seu esposo, que estaria esperando
por ela na rodoviária. Na conversa
soube que era da marinha.
O marinheiro experimentado suspeita
sempre que grande calmaria no mar,
seja precursora de alguma tormenta,
e fiquei arreliado.
O ônibus chegou fui um dos primeiros
a desce porque viaja na frente, assim
que desci avistei o Maurílio
que me saudou alegremente. O lá
Góes tudo bem? Estas vindo
de Natal? Assenti que sim ele disse
minha mulher veio nesse ônibus
quis saber quem era logo que ela desceu
nem parecia à mesma toda produzida,
me apresentou a moça, acho
que ele notou a minha surpresa e perguntou
foi tudo bem?
Notei que diante de minha relutância
ela meneou a cabeça e, pois
o dedo no lábio em sinal de
silencio, disse: “Claro tudo beleza
e que nos conversamos, mais não
imaginei que você seria o marido
dela”. Nestes casos as mulheres têm
a vantagem de esconder dos olhos masculinos
a culpa de seus pecados que censurei
com excessiva brandura. Ela dirigiu
ume um olhar tão cheio de ternura
que quase lhe denúncia à
existência de minha complacência.
O seu agradecimento, mais forte do
que poderia despertar reunindo no
mais terno dos seus seios, feminino
a gratidão e o armistício
de uma paz duradoura, e me convidou
a lhes fazer uma visita com o assentimento
de meu colega.
Sempre considerei o amor como único
fundamento da felicidade num matrimonio,
pois somente ele pode produzir a terna
amizade capaz de cimentar uma união,
pois todas as outras são uma
profanação do sagrado
matrimonio.
Porem muitas mulheres escorrega decaindo
a ultima extremidade do vicio por
não lhe ter sido possível
reparar o primeiro erro impedindo
que seus próprios pendores
a levassem aos caminhos da virtude.
Passou-se algumas semanas e fui fazer
uma visita ao colega. Na sua casa
em Bangu, Amarílis veio me
receber, estava linda porem, não
a olhei nos olhos ela podia notar
no meu olhar o que se passava dentro
do meu coração. Em quanto
Amarílis fazia o almoço
fomos jogar bilhar, entre uma tacada
e outra, ele disse me que Amarílis
confessara que eu dera em cima dela.
Cheio de eufemismo redargúi,
que não imaginara que ela fosse
sua mulher. Após o almoço
fizemos a sesta assistindo televisão.
Ninado pelo som do rádio, o
Maurílio dormiu na poltrona
ali sentado a seu lado, observei quando
sua esposa saiu do banho na entrada
do quarto deu-me um sorriso dissoluto,
desses sonsos que faz o homem renunciar
da imortalidade.
Fiquei fascinado, em cada olhar a
vi adornada de todos os encantos com
ternura respirando a doçura
nos lábios cor de rosa, desprendendo
vivíssimo fulgor nos olhos
faiscante e encantador. De repente
toda lascívia de fauno, tomou
conta de minha alma.
Pus os olhos em cima dela o que ela
acentuou mais eu me senti envergonhado,
e com medo de meus olhos delatarem
as minhas intenções.
Fora esse o principio que me ensinara
que pagamos a cortesia os mínimos
da hospitalidade roubando a casa dos
quais nos recebe é o mais baixo
e maior vil dos ladrões. Sabendo
que os caprichos de mulher são
tão acentuados que a faz a
mais cruel e mais temida criatura
de Deus, e muito embora digam se vitimas
pobrezinha, são elas que derrubam
reis, e fazem ruir os impérios.
Mas a prudência e a circunspeção
são necessárias a ate
para os mais corretos dos homens,
chamei o meu colega e lhe disse que
ia embora me despedi a nunca mais
voltei a casa dele.
Passaram-se muitos anos ate que nós
nos encontramos novamente, em uma
OM tínhamos trilhado muitos
caminhos parecidos mais diferentes,
mas finalmente nos encontramos novamente
agora servimos juntos.
Um dia encontrei o meu colega macambúzio,
retraído, portanto, a gravidade
lhe perguntei, o que se passava meio
relutante com austeridade principiou
com estas palavras, a Amarílis
não tem jeito ontem dei-lhe
umas bolachas cheguei em casa a minha
filha chorando e ela na rua baixei-lhe
o pau e continuou ao que parecia uma
sentença ao mencionar uma acusação,
não é primeira vez que
isso acontece só vim saber
por que a vizinha me contou.
O gênero humano sempre se deleita
enormemente em decantar os alheios
feitos.
Achava que aquela loucura da Amarílis
havia passado talvez a convivência
marital a tivesse mudado, ledo engano
tem pessoa que não mudam faz
parte do caráter dissoluto
das pessoas, mas a benevolência
e um poder exercido pelos conhecidos
grande homens que o concedem ele sempre
a perdoava tinha o forte desejo de
criar os filhos.
Era domingo de Carnaval estávamos
saindo de serviço Maurílio
disse vou pegar a Amarílis
para ver os blocos na rio branco ela
muito chegada ao carnaval.
Na segunda feira na hora da parada,
para o carro da escolta todos olharam
e o nosso amigo desceu todo amarrotado
tinha um braço enfaixado e
o rosto aranhado. Quando entramos
de serviço disse me que estava
largando a Amarílis e assim
como se estivesse encerrado a épocas
da surras não teve outra alternativa,
para o seu fel alem da própria
boca fraco recurso costumeiro da vingança
começou a narrar o acontecido.
Disse me ele, que no corredor do apartamento
ouviu o choro do bebe entrou no quarto
e o bebe se debatia sozinho no berço
foi à casa da vizinha e perguntou
pela esposa essa respondeu que desde
cedo que a menina chorava e que isso
sempre acontecia.
A inveja é o imã de
satã que incita a cólera
entre as mulheres, Enquanto acalentava
o bebê, ouviu uma batucada na
rua e foi olhar pela janela e para
sua surpresa ali estava a Amarílis
só de tanguinha na frente da
turba, toda serelepe, em rudimentos
da arte vocal a vagabundear e alegrava
as ninfas e zagalejos que se misturavam,
e juravam vigílias enquanto
ela reinava com o standarte em requebros
febris.
Maurílio desceu e pegou Amarílis
pelo cabelo e retirou a sopapos do
meio do samba, assim como nos campos
de marte a batalha se formou, as mulheres
excitadas enxotavam os Brutus a espanca-lo
em defesa da ninfa ate que chegou
a policia e encerrou a batalha.
As moléstias do espírito,
imitam quase todas as suas particularidades,
razão pela qual esperamos a
erudita faculdade a que devotamos
tão profundo respeito, nos
perdoara o termo obrigando a não
violentar as palavras.
O certo é que Maurílio
ostentava seus troféus na cabeça,
os cornos que alardeavam as glorias
de uma esposa fiel, e no rosto arranhado
demonstrava seus talentos ou garras
de mulher.
Não julgo a baixeza desse crime
diminuído pela grandeza da
injuria, pois embora as circunstancias
seja contra ela nem a absorvo e nem
condeno por achar que não me
encontro num trono com integridade
que nada corrompe, embora ache que
uma afeição, baseada
no entendimento e mais duradouro,
que a construída no engano
da beleza.
Já se passaram muitos anos
desde a ultima vez que os vi, mas
até hoje quando me lembro de
Amarílis meu coração
bate forte e não posso deixar
de render minhas homenagens, e reverenciar
a beleza daquela mulher.
Autor:
Gilson Cassiano de Góes